Na contramão

Imagina um motorista, de forma propositada, pegar um carro e andar em alta velocidade de encontro aos demais? Louco, não é mesmo? Pode parecer cena de ficção, mas sinto que o mundo tá caminhando assim: na contramão.

Diante do que assistimos nos noticiários, as atrocidades que compartilhamos e do verdadeiro caos em que o mundo se instalou, dá a impressão de estarmos vivendo no ‘olho do furacão’. Sempre estamos cercados de pessoas violentas, desonestas e sem escrúpulos. Como é ruim viver nesse campo minado.

Se andamos no trilho certo, temos chance de ser abatido. Se estamos fora da faixa, corremos ainda mais risco de ser atingido. E aí, qual a melhor forma de viver nesse mundo inconstante e instável? Como ter crença em mudanças, fé e esperança para seguir em frente?

O desafio da vida está nessas questões. Por mais nebuloso que seja o dia, a semana e até o mês, é preciso enxergar a luz no fim do túnel. Não admito conviver com a ideia da lanterna dos afogados. Acho que a reflexão e a atitude levam ao equilíbrio.

Aceitamos ser reféns dos motoristas loucos e ficamos trancafiados em casa? Para reverter o processo de ociosidade e ostracismo, no entanto, é preciso disciplina e vontade para reaprender a dar os primeiros passos. Vamos assumir os riscos e pegar carona naqueles que fazem o bem e pensam nos outros?

@labarreto88

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Uma carta para meu pai…

Sinto saudade…

– De acordar de manhã e ter o pão quentinho e o Nescau pronto na mesa.
– De ter herdado e nutrido o meu amor pelo Bahia.
– De programar a minha próxima festinha de aniversário.
– De ter aula de freecell no computador.
– De rezar pra você chegar do trabalho depois do capítulo imperdível de Malhação, para que não me proibisse de assistir.
– De assistir a vitória do Senna deitada – esparramada – em você/sua barriga.
– De pegar a tabela de jogos do Bahia e marcar aqueles que estaríamos presente.
– De ser sabatinada sobre os estados e suas respectivas capitais.
– De aprender a fazer massa de pizza no sábado a tarde e depois ter que lavar aquela pilha de prato.
– De ir para a Fonte Nova em plena quarta-feira a noite, tomar chuva, ver o Bahia tomar 7 a 4 do Santos, mas contente por ter estado ali.
– De ficar ‘pirada’ por ser proibida de comer a farofa de torresmo e ver você devorar tudinho bem na minha frente.
– De passear no shopping durante horas e ainda assistir o lançamento da Disney no cinema.
– De ser sua companheira de viagem durante as férias, seja em Uruçuca, Ilhéus ou Itabuna.
– De comer aquele bolinho de feijão com farinha que só você fazia.
– De sair domingo cedinho, visitar algum tio e, de quebra, ainda tomar café lá.
– De você se fazer de durão, mas ceder aos meus pequenos caprichos.

Mas, o pior de tudo isso é…

… ter essa sensação de frustração por não ter lhe dado um abraço de despedida.

No Dia dos Pais, só queria dizer que esse vazio não será preenchido. Que não me conformo por você ter ido muito cedo e essa lista de saudade ter mais tópicos, embora eu só tenha elencado alguns. Mas, agradeço a Deus por ter me dado um pai companheiro, querido e até birrento.

Obrigada pelo legado de aprendizado e lembranças que me deixou. Onde quer que esteja, sei que está olhando por mim. E, por aqui, mesmo depois de mais de 11 anos, sua ausência é sentida.

Te amo muito!

Com – muita – saudade,

Larissa
09/08/2015

Fragmentos de Amor. Fim.

Era mais uma noite solitária, se não fossem alguns detalhes: a música, o tempo chuvoso, o clima bucólico. Esse conjunto de fatores trouxe flashs, lembranças e muita saudade. Do frio na barriga pelo nosso milésimo encontro, do abraço confortável no fim do mais cansativo dia, da sua entrega na hora do beijo e o descanso em seus braços.

A ficha não caiu. Não era sonho. A sua presença era tão real, que incomodava. O silêncio esvaziou minha expectativa. Deu vontade de reviver aqueles bons momentos novamente. Ou, como sempre reforço, dos pequenos – embora grandiosos – fragmentos de amor, afeto e proteção. Do sorriso doce ao me desejar boa noite, acompanhado de um encontro delicado dos nossos lábios.

É difícil não sentir falta do calor do seu corpo quando encostava no meu, antes de repousar nos braços de Morpheu. A trilha sonora, geralmente escolhida por ele, me ajudava a repousar. Todos os problemas do mundo, tinham fim bem ali. E aquele afago gostoso em minha nuca naquele momento de quase dormir. Eu nunca esqueci.

Na verdade, todos os gestos pareciam sincronizados e ritmados. Havia uma troca de sentimentos, energias e calores, bastava um leve toque. Era fusão e efusão. Nesses momentos, o peito quase estufava de boas vibrações e o meu sorriso bobo externava o meu contentamento, a minha paixão. Depois da renúncia, a rendição. Ao mesmo, enquanto o nosso olhar se enamorava, a gente se amava.

No meio da madrugada, um misto de emoções. Era uma sensação inexplicavelmente maravilhosa, que me confundia sobre o que me dava mais prazer: seria o riso, os carinhos ou os sussurros? Não, talvez, fosse o conjunto. Me tomava por aqueles fragmentos de amor. Até ali, não sabia que o melhor – e o pior – ainda estavam por vir.

Nossa, aquele sorriso ao amanhecer iluminou o meu dia. Pena que, pouco depois, fora acompanhado de afagos, abraços e a inevitável despedida. O nosso melhor momento, capturado e guardado para sempre em minha memória, virou adeus. E, desde então, algo nunca mais mexeu comigo de tal maneira. Despedidas são tristes e sofridas. Mas, essa foi muito pior, foi fatal. Apagou aquela chama do amor. Porém, a faísca permanece em mim, preciso reacendê-la por aí.

FIM.

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Em tempo de WhatsApp…

Acho engraçada esse novo tipo de relação que se estabeleceu: aquela vivida pelo WhatsApp. Nos grupos ou no privado, geralmente começa com um bom dia. Às vezes vira o dia e o papo se encerra e, reinicia, da mesma forma. No início da semana vem acompanhado de uma mensagem de incentivo: “uma semana abençoada/iluminada pra você (s)” ou “coragem, hoje é segunda-feira”. Pra se tornar fofa, vem seguida pelo emoticon dando beijinho e coração. O problema não está só na superficialidade dessa conversa e sim, no seu desenrolar ou muitas vezes encerrar. As pessoas estão, de fato, te desejando aquilo ou é uma mensagem automática?

Mais que isso, os indivíduos estão sempre preocupados em compartilhar imagens na praia, no almoço em família, no reggae com você e demais amigos. São sempre momentos felizes e contentes. Satisfeito por estes, coloca as palminhas ou as mãos agradecendo pra celebrar. Mas e o cotidiano, é assim? Alguém compartilha o dia exaustivo, a TPM ou o estresse com o chefe/cliente? Bem difícil.

Acho que falta, muitas vezes, receber mensagens assim: “como vai você?”, “estou com saudade” e até “preciso de um abraço/ombro amigo”. É raro. É possível transceder as barreiras do app e, mesmo que utilizando o recurso da tecnologia, pegar o smartphone e fazer uma ligação. Se você conhece aquele do outro lado da linha, entende pelo tom de voz, pelo jeito de articular uma frase e até pela respiração. Parece bobo, mas não é. É saudável e necessário.

Você pode concordar, achar todo esse relato conversa pra boi dormir e até relutar. Mas, tô aqui pra compartilhar o que sinto. Me falta esse carinho a distância, dessa curiosidade real em saber como foi o meu dia, de ouvir a voz desses amigos ao me interrogar ou sacanear com aquelas piadinhas bobas. De não ter também, que interpretar nas entrelinhas das poucas frases.

Gostaria de compartilhar mais sobre mim e, também, ouvir mais daquele que está do outro lado – no telefone ou na mesa. Seja numa ligação, num encontro real, num cartão de aniversário, no sms saudadoso e menos nesses papinhos rasos.

Amor com afeto…

Sai da Livraria Cultura, na Av. Paulista, da sessão de autógrafos de Ivan Martins com o coração disparado. O autor dos meus textos preferidos estava ali, diante de mim. Costumo falar muito, mas o encontro me tirou as palavras.

Numa junção de timidez e euforia contida,  expliquei o fato de ter comprado três, e não apenas um livro. O primeiro, vai ser presente de aniversário de uma amiga. O segundo, um pedido da outra. E, por último, o meu acompanhado da seguinte dedicatória, “pra Larissa, que veiome conhecer num dia muito especial para mim. Um beijo do Ivan Martins”.

Sai de lá ainda boba, cheia de alegria e um sorriso largo no rosto. Peguei o metrô. Estava tão atordoada que peguei a linha errada. Paciência. A última estação: “Vila Madalena”. Não pensei duas vezes, desci lá. Andei um pouco. Na verdade, os pés já reclamavam de tanto que caminhei.

De longe, avistei uma lanchonete e entrei. Sentei-me. Enquanto o garçom não vinha, a minha distração era observar o ambiente. E, inevitavelmente, as pessoas. Na mesa à frente, um casal ‘sexagenário’ molhava as palavras. Mas, um fato me chamou atenção: eles sempre carinhosos um com outro. Fiquei um pouco boba com a cena. É válido e animador que os casais preservem tamanha intimidade.

O curioso é que eles sempre alternavam conversas ao pé do ouvido, mãozinha na perna e uma singela troca de olhares. Tudo que precisavam estava ali. Restavam eles e sobrava amor. Desejo que mais cenas assim se repitam. Que a cumplicidade, a sensibilidade e o afeto nunca deixem de existir. Que os antigos “amantes” perpetuem os gestos e que os novos aprendam.