Amor com afeto…

Sai da Livraria Cultura, na Av. Paulista, da sessão de autógrafos de Ivan Martins com o coração disparado. O autor dos meus textos preferidos estava ali, diante de mim. Costumo falar muito, mas o encontro me tirou as palavras.

Numa junção de timidez e euforia contida,  expliquei o fato de ter comprado três, e não apenas um livro. O primeiro, vai ser presente de aniversário de uma amiga. O segundo, um pedido da outra. E, por último, o meu acompanhado da seguinte dedicatória, “pra Larissa, que veiome conhecer num dia muito especial para mim. Um beijo do Ivan Martins”.

Sai de lá ainda boba, cheia de alegria e um sorriso largo no rosto. Peguei o metrô. Estava tão atordoada que peguei a linha errada. Paciência. A última estação: “Vila Madalena”. Não pensei duas vezes, desci lá. Andei um pouco. Na verdade, os pés já reclamavam de tanto que caminhei.

De longe, avistei uma lanchonete e entrei. Sentei-me. Enquanto o garçom não vinha, a minha distração era observar o ambiente. E, inevitavelmente, as pessoas. Na mesa à frente, um casal ‘sexagenário’ molhava as palavras. Mas, um fato me chamou atenção: eles sempre carinhosos um com outro. Fiquei um pouco boba com a cena. É válido e animador que os casais preservem tamanha intimidade.

O curioso é que eles sempre alternavam conversas ao pé do ouvido, mãozinha na perna e uma singela troca de olhares. Tudo que precisavam estava ali. Restavam eles e sobrava amor. Desejo que mais cenas assim se repitam. Que a cumplicidade, a sensibilidade e o afeto nunca deixem de existir. Que os antigos “amantes” perpetuem os gestos e que os novos aprendam.