“Você não sabe o quanto eu caminhei…”

Continuando o que já falei um pouco no post anterior, já fiz dieta por diversas vezes. Abdiquei das biritas nos finais de semana, do fast food, do refrigerante, do chocolate e uma série de coisas engordativas em prol de um objetivo. E vou dizer uma coisa, não é nada fácil. Pelo contrário. A alimentação mexe com o seu humor, temperamento, capacidade de concentração e uma infinidade de coisas associadas, principalmente quando está utilizando moderador de apetite. No meu caso, utilizei apenas sibutramina. Foram 10mg, 15 mg e até a superdose de 20mg por dia. Fez efeito? Totalmente. O problema é manter o foco, a concentração e deixar que nada atrapalhe o seu processo de emagrecimento. Uma auto-estima bacana, o acompanhamento de bons profissionais e uma preparação legal, fazem toda a diferença.

Agora recordando esse processo de “fechar a boca”, lembro que nos dois primeiros meses, apenas reduzi o que estava comendo, o resultado foi: seis quilos jogados fora. Nos três meses seguintes, acompanhados de endocrinologista, sibutramina e reeducação alimentar, consegui abandonar mais uns 14 quilos. Poxa, perder 22 quilos em apenas cinco meses não é pra qualquer um, mas o problema mora ai. É notório que após uma perda dessa a auto-estima da pessoa melhora muito. Começa pela família, passa pelos amigos e até os colegas notam “como você está diferente”. Além de vestir as roupinhas que há séculos não cabiam. É uma sensação de plenitude maravilhosa, diria até que indescritível.

Pois bem, tudo estava caminhando até eu ficar sem plano de saúde, as consultas agora teriam que acontecer particular, mas a grana tava curta, a auto estima já dava sinais de fragilidade e ai começou a desandar novamente. Que fique bem claro, essa não foi a primeira nem a última vez que procurei um profissional, que tentei fazer dieta, mas foi a vez que cheguei mais perto de atingir meu objetivo. Agora, sem o auxílio do profissional, sem a receita para comprar a sibutramina, fica difícil manter a boca fechada. O medicamento me dava condição de enganar o estômago que informava ao meu cérebro que estava tudo ok, que não sentia fome. Não sei ao certo o quanto “dependente” fiquei daquela cápsula, seja psicologicamente ou fisiologicamente falando. Mas, sentia falta de sentir aquela sensação de estar satisfeita comendo o que comia antes… Pensando agora não sei precisar quantos quilos engordei, nem durante quanto tempo. Mas, posso dizer que o ganho é inversamente proporcional ao que foi perdido. É muito mais fácil engordar, do que emagrecer. Disso eu não tenho dúvida.

Entre as oscilações de humor, efeito sanfona, auto-estima ferida, nada é pior do que a sensação de missão abortada, de dever não cumprido. A frustração toma conta da pessoa. Como sempre fui uma pessoa sorridente, comunicativa, não ficava tão evidente para quem estiva ao meu redor. Mas, no final do dia, quando colocava minha cabeça no travesseiro e pensava com os meus botões, tristeza e arrependimento de voltar a estaca zero tomavam conta de mim. Muitas vezes não tive vontade de sair de casa, chorava sozinha e copiosamente. Enfim, só quem já passou e/ou passa por situações assim sabem que não é fácil conviver com isso.

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