Depois da tempestade vem a bonança..

A semana que passou foi um tanto quanto agitada. Rolou visitinha ao cardiologista para checar como anda o coração. Basicamente aquele papo inicial sobre histórico familiar e qual o meu propósito ao marcar a consulta. Expliquei sobre a intenção de fazer a cirurgia, mas dessa vez foi mais tranquilo, diferente da visita a nutricionista. Ele solicitou mais três exames: eletrocardiograma, ecocardiograma e teste de esforço. O primeiro, inclusive, eu fiz no mesmo dia. Um exame bem rapidinho. Os próximos faço entre essa semana e a próxima. Também terei que voltar ao profissional para entregar o resultado dos exames para que ele emita a avaliação para o cirurgião.

Ainda realizei uma endoscopia. No inicio, fiquei um pouco tensa por saber como seria o exame, mas correu tudo bem. Fui acompanhada por minha mãe, já que não pode ir sozinho a esse procedimento, pelo fato da necessidade de ser aplicada uma anestesia. A enfermeira demorou um pouco para conseguir “pegar” a veia. Passado o nervosismo inicial, confesso que achei um tanto quanto interessante o fato de “apagar” por alguns minutos. Fiquei um pouco lerda por conta do exame e dormi a tarde inteira. O resultado deve sair no final dessa semana.

Amanhã é o dia programado pelo plano de saúde para saber onde irei realizar a polissonografia. Assim que souber o local, terei que agendar. A minha preocupação é o tempo que isso pode levar, pois pelo que já pesquisei, é um exame que faz em poucos locais. Mas, é insistir para que consiga marcar o quanto antes para acelerar todo o processo.

Essa semana promete ser um pouco mais tranqüila, pois tenho apenas o ecocardiograma para realizar. Vou atualizando vocês sobre essa maratona, além de contar sobre o posicionamento da Medial Saúde quanto a solicitação para realizar a polissonografia. Por hoje é só. Em breve, mais novidades. Espero que tenha boas notícias durante essa semana. #oremos

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Tratamento de choque faz parte do processo?

Vamos combinar, cada novo exame ou nova consulta, uma novidade. Desta longa empreitada, teve uma consulta em especial. De uma mera visita a nutricionista ao circo de horrores. Nunca fui a uma médica tão louca, parecia estar participando de uma pegadinha. Essa consulta é de extrema importância, afinal de contas, a profissional deve emitir uma avaliação para que ratifique o meu “dossiê” para fazer a cirurgia.

Ao entrar na sala e relatar a minha pretensão, a médica teve uma reação que não esperava. Ela levou as mãos ao rosto, balançou a cabeça com um ar de reprovação e começou a me relatar diversos casos de pessoas que realizaram a cirurgia. O mais interessante destes “causos” é que TODOS foram de insucesso. No primeiro momento pensei em questionar, mas a medida que o tempo ia passando, fui me convencendo de que ela estava irredutível.

Em um destes casos, o operado não conseguia se alimentar direito mesmo anos depois da cirurgia. No outro caso, o paciente teve dois infartos, um antes e outro depois do procedimento. E o terceiro, na verdade, desse eu não to lembrada, foi tanta coisa que escutei que acho que nem valia a pena lembrar. Hahahaha. Além disso, ela falou que eu não ia poder engravidar, já que não teria nutrientes para me alimentar, como poderia nutrir um feto? Fora as caretas que ela fazia quando eu falava que estava convicta dos riscos que ia correr com a cirurgia.

E o festival de absurdos não termina por ai. Quando relatei que dois irmãos já tinham feito bariátrica, a primeira coisa que ela perguntou foi: eles engordaram? Em momento nenhum ela perguntou sobre o bem-estar deles, como eles estavam depois de anos de operado. Se a intenção dela foi me chocar, ela conseguiu. Mas, não me fez mudar em nada a minha ideia. Muitas vezes demoro de tomar uma atitude, mas quando estou convicta, nada nem ninguém me faz mudar os planos.

Depois de muito blá, blá, blá e mais meia dúzia de asneiras, ela realmente se convenceu que eu não estava disposta a mudar de ideia. Assim, realizou o restante das atividades, me pesou, mediu e, finalmente, emitiu a tão sonhada avaliação. Posso dizer que realmente fiquei espantada com essa atitude descabida da profissional, mas esse tratamento de choque me fez perceber que estou bastante convicta e confiante. No lugar dela, mesmo que não concordasse com a decisão do paciente, não agiria assim. Mas, vai saber né? Nada acontece por acaso. Nesse relato resolvi preservar a identidade da médica, porém tenho a pretensão de nunca mais vê-la. É melhor evitar…

Marcações, consultas, exames e o que surgir..

Decisão tomada, agora é o momento de pesquisar os médicos que realizam a cirurgia, verificar a cobertura do plano de saúde e conseguir marcar uma consulta. Após algumas tentativas sem sucesso, deixei um pouco de lado essa busca. Mas, no dia 13 de outubro, estava de folga do trabalho. Além de resolver outros pepinos, estava mais do que na hora de descascar esse abacaxi e marcar uma consulta com o cirurgião. Primeiramente, resolvi buscar o Núcleo de Tratamento e Cirurgia da Obesidade (NTCO), pois os médicos que operaram meus irmãos, Marcelo Falcão e Erivaldo Alves, são bem avaliados e já conhecidos pela família, mas o Núcleo não aceita o meu plano de saúde. Só me restou mudar o plano…

Continuei minha busca incessante para achar um bom médico, isso é mais importante do que se imagina, afinal de contas, o cara vai ter minha vida em suas mãos, literalmente falando. Encontrei o Hospital Espanhol, que também possui um Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica, mas não conhecia os médicos da equipe. Fiz uma última tentativa. Liguei para a Clínica Baros, consegui marcar a consulta com Marcos Leão Villas-Boas, que além de ser bastante conhecido, já operou algumas pessoas próximas, o que me leva a ter mais confiança para fazer a cirurgia. Consegui marcar a consulta até rapidamente, no dia 19/10.

Fui acompanhada de minha mãe e dinda, afinal de contas, como trabalham em uma área que lida diariamente com o meio médico, gostariam de saber como seria o papo, o procedimento que utilizaria, onde deve ser realizada a cirurgia, entre outras curiosidades. Inicialmente, tudo como o previsto. Contei um pouco sobre minhas experiências engordativas, além do pesadelo real de ter que subir à balança mais uma vez. Passada essas experiências, o Dr. Marcos solicitou uma série de exames, avaliações e consultas, para que ele analise e a partir daí marcar a cirurgia. Além disso, me explicou o método mais utilizado por ele e sua equipe: o by-pass gástrico, conhecido também como capella.

A técnica possui um componente principal restritivo, que diminui consideravelmente a quantidade de alimento necessária para proporcionar saciedade e requer uma modificação do comportamento alimentar (mastigar bem o alimento, comer lentamente, e ingerir pequenos bolos de cada vez). Por outro lado, como o alimento não passa pela maior parte do estômago e pelo duodeno e cai direto no intestino delgado, o bypass gástrico permite controle maior do apetite e a uma perda de peso mais rápida e mais intensa do que nos procedimentos puramente restritivos.

Explicação à parte, gostei bastante da técnica utilizada pelo Dr. Marcos, além das explicações durante a consulta, o tempo que ele levou tirando dúvidas, também foi bastante satisfatório. Como já falei acima, não dá pra confiar em um médico que lhe atenda em 20 minutos para que possa atender um maior número de pacientes, isso me deixou bem mais tranquila e faz com que haja uma maior confiança. A única parte negativa, sempre tem que ter, foi a bandeirinha do Vitória que enxerguei assim que entrei no consultório, mas isso é um capítulo a parte. Kkkkkk.

Na série de solicitações médicas, polissonografia (exame do sono), avaliação respiratória com espirometria completa, endoscopia, ultrassonografia do abdômen e exames de sangue. Além da avaliação psicológica, endocrinológica, cardiológica e nutricional. O dia seguinte foi basicamente dedicado a pesquisar e marcar, ou pelo menos tentar, os exames solicitados. Até que consegui marcar rapidamente as consultas e os exames, o que dá mais trabalho é a polissonografia, que tive que enviar um fax para a Medial Saúde solicitando o exame e aguardando eles anunciarem o local que posso marcar a polissonografia. Nos próximos posts, vou me dedicar a contar as aventuras da maratona médica que estou realizando. Portanto, até breve.

A decisão…

Depois de idas e vindas, do indesejado efeito sanfona, muito sofrimento e decepção, chegou a hora de tomar uma atitude! Olhei o site do plano de saúde e marquei uma consulta com a endocrinologista. Depois de muita conversa sobre obesidade, doenças, histórico familiar, como em diversas outras consultas, chegou a hora de pesar. Não há nada pior para um gordinho do que o momento de subir na balança. Para meu espanto e indignação, estava 10 quilos a mais da minha pior fase, ou seja, fiquei o dia todo pensando nisso. Mas, voltemos a consulta. A endocrinologista, ao invés de outros casos, não tirou da pasta uma dieta padrão e me receitou uma droga, pelo contrário. Alertou que era importante marcar uma nutricionista e quem sabe um acompanhamento psicológico, já que o meu problema maior é a ansiedade.

Confesso, saí da consulta com uma dor de cabeça, acho que foi adquirida no momento em que subi na balança. Pensei: meu deus, que loucura, tenho que começar essa dieta pra ontem, não dá pra continuar assim. Mas, quem disse que adiantou? A ansiedade, os problemas diários, a cobrança pessoal, tudo me movia para o contrário. Às vezes parece que a solução para todos os problemas do mundo está na comida. E parece um ciclo sem fim. Um dia você dá uma segurada, no dia seguinte come um monte de porcarias.

Depois de certo tempo comecei a freqüentar a psicóloga semanalmente para falar sobre a questão da obesidade, além de outros assuntos pessoais. Revelo que me surpreendi positivamente, acredito que a terapia semanal está sendo muito bacana para conversar coisas que não me sentia a vontade de falar com ninguém, inclusive, nem comigo mesma. A profissional me mostrou que a gente não pode conversar sobre o que dá prazer, nos faz bem. Ou seja, passa bem longe disso. É preciso abordar na terapia os assuntos que lhe intrigam, inquietam, para que estes sejam um dia sejam abordados tranquilamente. No meu caso, posso dizer que a questão de ter engordado mais de 20 kg em um ano, teve início de uma desilusão, o que me fez pensar bobagens, me podar, criar barreiras para que eu pudesse me livrar dessas amarras da vida. Acredito que se tivesse esse acompanhamento psicológico antes, tudo poderia ser diferente. Mas, nada nessa vida acontece por acaso.

Nesse meio tempo entre a visita a endócrino e a psicóloga, marquei a consulta com a nutricionista. E foi neste dia que a ficha caiu. A profissional, bem jovem por sinal, teve uma postura bastante madura e explicou que faria uma dieta baseada no meu peso, altura, ritmo de vida, gasto calórico, entre outras características. Tudo como manda o figurino, mas bem diferente de outros médicos que já utilizavam aquele modelo pré-estabelecido esquecendo-se de levar em consideração as características físicas dos pacientes. Ela me explicou que por conta destas características e em virtude de ser a primeira consulta, enviaria esse programa alimentar por e-mail, e assim que eu começasse a seguir, deveria voltar em um mês. Pouco antes, porém, teve a pesagem e medir a altura. Nesse momento, o choque. Depois de ver a calculadora, meu Índice de Massa Corpórea (IMC), já havia passado de 40, o que se caracteriza como obesidade grau III, muito elevado, principalmente levando em conta minha altura e idade.

Após esse choque de realidade, pensei que apenas fechar a boca e investir pesado na academia, não seriam suficientes para perder os 40 kg para chegar até o considerado “peso ideal”. E ai, a ideia foi se submeter a algo mais radical, que pudesse investir na disciplina. E a primeira coisa que veio a cabeça, era a cirurgia bariátrica. Possuo um pouco de conhecimento no assunto, já que muitos conhecidos, além de dois irmãos já se submeteram ao procedimento. Conheço os riscos destas cirurgias e principalmente a mudança no ritmo alimentício que a acompanha, mas percebi que a essa altura do campeonato, vai ser a melhor atitude a ser tomada. Decidida, perdi todo o meu medo e resolvi encarar com seriedade o novo panorama e comecei a buscar a possível “solução” para os meus problemas.

“Você não sabe o quanto eu caminhei…”

Continuando o que já falei um pouco no post anterior, já fiz dieta por diversas vezes. Abdiquei das biritas nos finais de semana, do fast food, do refrigerante, do chocolate e uma série de coisas engordativas em prol de um objetivo. E vou dizer uma coisa, não é nada fácil. Pelo contrário. A alimentação mexe com o seu humor, temperamento, capacidade de concentração e uma infinidade de coisas associadas, principalmente quando está utilizando moderador de apetite. No meu caso, utilizei apenas sibutramina. Foram 10mg, 15 mg e até a superdose de 20mg por dia. Fez efeito? Totalmente. O problema é manter o foco, a concentração e deixar que nada atrapalhe o seu processo de emagrecimento. Uma auto-estima bacana, o acompanhamento de bons profissionais e uma preparação legal, fazem toda a diferença.

Agora recordando esse processo de “fechar a boca”, lembro que nos dois primeiros meses, apenas reduzi o que estava comendo, o resultado foi: seis quilos jogados fora. Nos três meses seguintes, acompanhados de endocrinologista, sibutramina e reeducação alimentar, consegui abandonar mais uns 14 quilos. Poxa, perder 22 quilos em apenas cinco meses não é pra qualquer um, mas o problema mora ai. É notório que após uma perda dessa a auto-estima da pessoa melhora muito. Começa pela família, passa pelos amigos e até os colegas notam “como você está diferente”. Além de vestir as roupinhas que há séculos não cabiam. É uma sensação de plenitude maravilhosa, diria até que indescritível.

Pois bem, tudo estava caminhando até eu ficar sem plano de saúde, as consultas agora teriam que acontecer particular, mas a grana tava curta, a auto estima já dava sinais de fragilidade e ai começou a desandar novamente. Que fique bem claro, essa não foi a primeira nem a última vez que procurei um profissional, que tentei fazer dieta, mas foi a vez que cheguei mais perto de atingir meu objetivo. Agora, sem o auxílio do profissional, sem a receita para comprar a sibutramina, fica difícil manter a boca fechada. O medicamento me dava condição de enganar o estômago que informava ao meu cérebro que estava tudo ok, que não sentia fome. Não sei ao certo o quanto “dependente” fiquei daquela cápsula, seja psicologicamente ou fisiologicamente falando. Mas, sentia falta de sentir aquela sensação de estar satisfeita comendo o que comia antes… Pensando agora não sei precisar quantos quilos engordei, nem durante quanto tempo. Mas, posso dizer que o ganho é inversamente proporcional ao que foi perdido. É muito mais fácil engordar, do que emagrecer. Disso eu não tenho dúvida.

Entre as oscilações de humor, efeito sanfona, auto-estima ferida, nada é pior do que a sensação de missão abortada, de dever não cumprido. A frustração toma conta da pessoa. Como sempre fui uma pessoa sorridente, comunicativa, não ficava tão evidente para quem estiva ao meu redor. Mas, no final do dia, quando colocava minha cabeça no travesseiro e pensava com os meus botões, tristeza e arrependimento de voltar a estaca zero tomavam conta de mim. Muitas vezes não tive vontade de sair de casa, chorava sozinha e copiosamente. Enfim, só quem já passou e/ou passa por situações assim sabem que não é fácil conviver com isso.